0
PÁGINA INICIAL / ELO / ABPA: o que veio e o que esperamos que virá

ABPA: o que veio e o que esperamos que virá

Francisco Turra 

Ex-ministro da Agricultura e presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

 

O ano de 2018 foi desafiador. O setor produtivo foi testado ao limite como poucos momentos antes visto na sua história. A suspensão de plantas brasileiras exportadoras de carne de frango para a União Europeia, a instituição de novos critérios halal por países Árabes e a aplicação de medidas equivocadas de direito antidumping pela China foram alguns dos fatos que colocaram o setor produtivo à prova.


O ápice da crise aconteceu durante a greve dos caminhoneiros no final do mês de maio. Os prejuízos ao setor superaram os R$ 3,1 bilhões – dentre os quais, R$ 1,5 bilhão foi irrecuperável. E, se não bastassem os danos sofridos, veio o tabelamento do frete, o qual eleva em média 35% o custo logístico dos setores - chegando até a 80% em algumas modalidades. Ao consumidor final, o impacto no preço das carnes de frango e de suínos chega a 15%.


Em meio às questões relacionadas às exportações e à logística setorial, vimos o milho e a soja atingirem altas históricas, superando os preços em mais de 50% e 40% respectivamente em relação aos custos do ano passado. O encarecimento do câmbio e a menor oferta impulsionou negócios com a Argentina e o Paraguai, países vizinhos produtores de grãos.


Mesmo com plantas desabilitadas, a competência setorial permitiu que o fluxo das exportações não se rompesse. As vendas para a China cresceram apesar da aplicação da taxa antidumping. Emirados Árabes, Kuwait e Iêmen reduziram os impactos da retração das importações sauditas.


A habilitação de 26 novas plantas frigoríficas de aves para exportações ao México sinaliza um mercado ainda mais demandante em 2019, o que deve influenciar o saldo geral das exportações do Brasil.


Frente a esse cenário, a produção de carne de frango deverá apresentar queda de 1% e 2%, girando em torno de 13 milhões de toneladas. Essa redução é puxada pela diminuição no alojamento de pintos de corte, estimada entre 3% e 5%, impactando na oferta disponível de carne de frango. O consumo de carne de frango no Brasil deve se manter em 42 quilos. Já as exportações devem ficar em torno de 4 milhões de toneladas.


Entretanto, a expectativa é de mais ovo para o consumidor. A produção pode ser até 10% maior que em 2017, próxima de 44 bilhões de unidades. Em determinados meses, como agosto e outubro, as exportações de 2018 foram mais de 100% superior em relação ao mesmo período do ano anterior. Superaremos em pelo menos 3 mil toneladas as vendas de 2017, e a expectativa é de se aproximar das 10,4 mil toneladas registradas em 2016.


Em todo o segmento, a expectativa geral é por um momento de maior calmaria para o setor produtivo. Os indicativos de produção de milho e de soja apontam para uma oferta menos apertada. Os focos de Peste Suína Africana estão reduzindo a disponibilidade de animais e de carne suína no mercado chinês. Logo, a demanda por carne de frango também deve ser maior nesse mercado asiático, pressionando a oferta internacional.


A eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República trouxe um clima positivo que há tempos o agronegócio não vivia. O anúncio da presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Deputada Tereza Cristina (DEM-MS), como futura Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento foi recebido com grande otimismo. Estamos bastante confiantes, pois ela conhece o setor de proteína animal como poucos e sabe claramente das dificuldades e oportunidades que temos pela frente.
 

Compartilhe:


Cadastre o seu e-mail e receba
novidades e informativos