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21 de Fev 2018

Como vencer as incertezas do cenário agrícola brasileiro

Como vencer
“Se não tem vento, tem que remar”

O agronegócio, assim como outros setores da economia brasileira, de uma forma ou de outra, está sentido o impacto da crise política brasileira. Cada segmento produtivo precisa fazer a leitura correta desse momento, pois o status de cada cadeia pode pedir recomendações diferentes para a continuidade dos negócios.

“Via de regra, em momentos de incerteza, é fundamental proteger o seu negócio”, garante o professor Ernani Carvalho da Costa Neto, coordenador do Núcleo de Estudos de Agronegócios da ESPM Sul. Ele completa: “é fundamental focar no que se faz bem até passar a turbulência e, depois, sim, buscar novos negócios.”

Em tempos de incerteza quanto ao futuro, ‘focar no que faz bem’ significa aprimorar os seus diferenciais, investir em conhecimento e tecnologia. É olhar para dentro da porteira e identificar o que pode ser melhorado quanto a gestão do próprio negócio, a qualificação das pessoas para a execução, investimento em tecnologia de armazenagem, por exemplo, entre outros pontos.

O especialista ressalta que esse olhar está diretamente relacionado com a cultura de business aplicada ao agro. De acordo com Costa Neto, normalmente, no momento de crise, o primeiro pensamento é o de “vou cortar” ou “não quero mais custo”, e o produtor acaba dispensando pessoas e adiando investimento em inovação. “Não é por aí. Esse tipo de ação causa impacto na produtividade e será pior ainda. Uma hora, a tempestade vai passar, e aí? Perdem-se pessoas e rentabilidade.” Se olhar para o futuro com uma perspectiva de negócio, o produtor não vai parar no tempo, e deverá seguir investindo com inteligência.

Manter o investimento nos seus processos é o mais indicado nessa hora. Ele recomenda: “é fundamental direcionar os esforços para que o negócio fique mais forte.” O professor destaca que o melhor a fazer é aproveitar a oportunidade para organizar a casa, identificar suas diferentes unidades de negócio dentro da propriedade - e gerenciar cada uma com seu caixa próprio. Isso é visão de negócio, o que torna o produtor rural um empresário rural.

Nesse momento, as consultorias podem ajudar. Existem consultorias agronômicas, que vão agregar diretamente nos aspectos técnicos da produção; consultorias de gestão, que tratam desde questões estratégicas até financeiras, orientando no sentido de melhorar os controles, buscar novos mercados, novos clientes. “Uma consultoria adequada deve ajudar o empresário rural a dar um passo para trás para ampliar sua visão, para buscar uma análise fria da situação e começar a planejar seu novo momento”, reforça.

Expertise - Costa Neto destaca a recomendação de Philip Kotler, guru do marketing. Kotler aconselha ao empresário desenvolver habilidades que são fundamentais para ‘vencer o caos’. São elas:

* Responsividade - É a capacidade de dar respostas rápidas e adequadas à situação. O professor exemplifica: “a cadeia produtiva do arroz, depende do mercado interno; o produtor precisa ter agilidade para se voltar para o externo num momento de crise interna.”

* Vigor - O vigor de uma empresa rural representa o quão forte é o negócio para aguentar um período de dificuldade. Isso é construído por meio de uma boa reserva, diversificação de negócios, bom nível de parcerias com fornecedores, com seus pares, evitando dependência de clientes.

* Resiliência - É a capacidade de adaptação, mantendo a competência para fazer as diferentes atividades.

“Na verdade, tudo é uma questão de atitude. É fundamental manter uma postura otimista diante da crise, para se ter força para buscar ações que vão permitir a sobrevivência. Se não tem vento, tem que remar!"
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