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20 de Ago 2017

Ed. 37 | Opinião | Unidos pelo desenvolvimento



Os primeiros meses de 2017 colocaram à prova as estruturas da proteína animal brasileira. Enfrentamos um forte abalo a partir da Operação Carne Fraca, que afetou a imagem de nosso produto nos mercados doméstico e internacional. Devido a uma série de incorreções na divulgação, a opinião pública ficou perdida em meio a informações desencontradas e manchetes espetacularizadas. Mas o tempo é o senhor da razão. E, após uma grande união e um intenso do trabalho do setor, estamos começando a voltar aos eixos.



Ao lado do Ministério da Agricultura, participamos de missões internacionais, reuniões e coletivas. Demonstramos que os problemas se referiam a um número reduzido de plantas e que as providências foram imediatas. Juntos, esclarecemos a realidade à população e recuperamos muitos mercados que haviam suspendido seus negócios com o Brasil. A força do setor e o alto padrão de produção prevaleceram, e os reflexos disso ficaram evidentes nos números.



Apresentado em julho, o balanço semestral da Associação Brasileira de Proteína Animal mostrou que o saldo cambial dos embarques de carne suína avançou em 28,5%, em relação ao mesmo período do ano passado. Esse foi o melhor desempenho registrado nos últimos cinco anos. A receita obtida com as exportações de frango seguiu o mesmo caminho, com um incremento de 5,9% na comparação com 2016. 



Tais resultados foram conquistados graças à qualidade de nossos produtos e ao mercado exterior mais favorável, o que abrandou a leve queda do volume embarcado. A partir desses números – e tendo em vista a reorganização do setor e a recuperação da imagem internacional –, podemos prever um saldo positivo ao final do ano. Nossa estimativa é de crescimento de 1% nas exportações de carne de frango e suína.



Ou seja, mesmo com a maior crise de nossa história, a proteína animal brasileira permaneceu forte e no caminho do crescimento. Consequência de um setor de larga tradição de profissionalismo, alto padrão de qualidade e união. Pilares fortes para erigirmos um futuro ainda melhor. As perspectivas são muito positivas. 



A população mundial deve chegar a 8,1 bilhões de pessoas em 2025. Crescem as classes médias e o poder aquisitivo, sobretudo na Ásia e na África. Fatores que elevam a demanda por alimentos, com destaque para a proteína animal. Temos condições para atender ao mercado doméstico e, ainda, ampliar as exportações para o exterior. Hoje, chegamos a cerca de 160 países.



Nossa produção é adaptável, sendo capaz de suprir as necessidades e costumes de cada região do mundo. Seja com cortes diferenciados para alguns países, ou com opções prontas para o consumo nas áreas urbanizadas. Um alto valor agregado que gera maior renda e leva a marca Brasil para as mesas mais exigentes.



Para explorarmos essas potencialidades, temos de fortalecer nossas virtudes. Manter a qualificação contínua da segurança sanitária, que ainda nos mantém distantes de doenças como a influenza aviária. Investir cada vez mais em tecnologia e melhores práticas, para elevar a produtividade. E ampliar nossa cooperação para reduzir a carga tributária, a burocracia e o custo logístico, desafios que seguem no horizonte.



Muitas foram as lições dos últimos meses. E a maior delas é que, unidos, sempre seremos mais fortes. Juntos enfrentamos a crise e retomamos o crescimento da proteína animal. É hora de reforçarmos essa união, para que o setor e o Brasil possam seguir trilhando o caminho da qualificação, do trabalho e do desenvolvimento.


Ricardo Santin

Vice-presidente e Diretor de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)


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