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20 de Ago 2017

Ed. 37 | Suinocultura | A granja do futuro


Alojamentos e construções com foco no bem-estar animal 



O crescimento das exportações brasileiras de carne suína tem uma relação direta com o aprimoramento da qualidade do manejo dos animais. O consumidor, cada vez mais exigente, também se tornou um influenciador na evolução do setor, pois é um observador do impacto que a produção de proteína animal causa no ambiente, além de exigir um trato mais “humanizado” para o animal – fatores que, sabemos, influenciam também na qualidade da carne. Esses aspectos estão diretamente relacionados com as condições do alojamento e das construções voltadas para esse segmento e vêm determinando mudanças nas construções, que consideram ainda as práticas de manejo de fêmeas em gestação (se em gaiola ou coletiva), a sustentabilidade e o bem-estar animal e humano.



Para o médico veterinário Carmos Pedro Triacca, especialista em suínos e gerente de serviços técnicos da InfoPork Brasil, para que seja possível dar aos suínos um ambiente mais semelhante ao que ele estaria vivendo na natureza, é preciso que as instalações tenham espaço para que esses animais tenham convívio grupal, pois o suíno é um animal de convivência coletiva. “A principal mudança na estrutura de uma granja nos dias de hoje está ligada ao espaço da fêmea gestante, que para muitos especialistas é o animal que teria menor qualidade de vida em uma granja”, afirma Triacca.



Nas granjas convencionais, as fêmeas em período de gestação permanecem em gaiolas individuais, com pouco espaço à sua mobilidade, o que compromete o bem-estar dos animais de forma excessiva, levando-as a desenvolver um comportamento anormal. Além disso, a restrição de movimentos e a falta de exercícios levam à redução de músculos e de densidade óssea, e ainda geram comportamentos repetitivos, como os de humanos com problemas mentais, chegando a observar mudanças no cérebro dos animais semelhantes a um quadro de depressão profunda. 



“A principal mudança que vem ocorrendo nos últimos cinco a sete anos é uma alteração drástica na criação das porcas em gestação. Na década de 40, colocou-se as fêmeas em gaiolas para ter uma melhoria na precisão da nutrição. Isso trouxe um benefício muito grande na época”, conta o veterinário. Ganhava-se de um lado, mas perdia-se de outro, pois o animal tinha pouca liberdade.



O que o mercado está trazendo agora? A tendência de projetos construtivos de agora aponta para um alojamento em que a matriz sai da gaiola para uma realidade de fêmeas soltas e livres para expressarem seu comportamento natural em uma baia de 160 a 240 animais. “Sai de cena aquela parafernália de gaiolas de ferro e entra um ambiente bem mais limpo e tranquilo, obviamente com as condições de disputas hierárquicas que são naturais dos suínos criados em grupo”.



Para ter sua exigência nutricional atendida, um equipamento computadorizado, instalado no meio da baia, distribui o alimento de acordo com a fase de gestação de cada fêmea. Esse equipamento – o ESF Conpident – é uma estação eletrônica de alimentação que permite o gerenciamento individual da porca em confinamento, com dieta nutricional de alta precisão. “É um equipamento que traz muitos benefícios para quem está gerenciando os animais”, destaca. “Para a suinocultura continuar se desenvolvendo é fundamental a aplicação de alta tecnologia na produção, além de elementos sustentáveis. Esses dois fatores juntos vão trazer menores riscos sanitários, uma carne mais segura e abrir portas para os grandes mercados importadores”.


Carmos ressalta que para atender esse sistema, as construções mudam apenas seu layout interno, aumentando o espaço físico para as fêmeas, mas os barracões continuam compridos e com a mesma largura, posicionados de acordo com o sol. 



Armando Lopes do Amaral, biólogo e analista da Embrapa Suínos e Aves na área de sanidade e manejo, entende que o futuro do alojamento e construções na suinocultura, passa pela definição do manejo que vai se fazer na granja. “Animais e construções andam juntos”, reforça. Ele acompanha a opinião de Triacca quando menciona que tem se falado muito nas novas estruturas para fêmeas em gestação, e ressalta a necessidade de uma mão de obra qualificada para operar com essas novas estruturas, que envolvem tecnologia.



Em se tratando de outras fases do desenvolvimento do suíno e a tendência do alojamento, Triacca aponta ainda que a fase da lactação é a próxima a ver uma mudança nas instalações. “Está se tentando abrir a cela durante o aleitamento dos leitões, depois que eles têm uns cinco ou seis dias de vida, sem perder produtividade”. Hoje, na instalação convencional são celas parideiras, no qual a fêmea fica engaiolada do parto até o desmame. “O produtor está vendo esses novos sistemas como investimento, como forma de melhorar seus índices produtivos, reduzindo a utilização de mão de obra”, completa.


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