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Maternidade ideal: conforto térmico e manejo adequados

suinocultura, ambiência

 

Ambiência deve contemplar a fêmea e o leitão

A intensificação da produção de suínos no Brasil vem alterando o conforto desse animal. O consumidor, cada vez mais exigente, também se tornou um influenciador na evolução do setor, pois observa o impacto desse crescimento e cobra um trato mais “humanizado” para o animal. Nesse sentido, cada fase de desenvolvimento precisa de práticas adequadas de ambiência e manejo. 

Na maternidade da granja, o principal desafio a ser enfrentado é proporcionar o conforto térmico para a fêmea e para o leitão no mesmo espaço. Vanderlei Zappani, gerente de Produção da Cooperativa Lar, chama a atenção para o fato que diferencia a maternidade dos demais setores: são dois extremos. “Quando em gestação, todas as fêmeas requerem o mesmo clima, mas após o parto isso muda. Passam a ser duas categorias distintas de animais, que possuem diferentes faixas de conforto térmico, alojadas em um mesmo espaço”, ressalta.

Os suínos são animais extremamente sensíveis às alterações de temperatura. Para atender os dois extremos da sala de maternidade, o produtor precisa proporcionar a temperatura para a matriz, que precisa estar em um ambiente com temperatura entre 19 e 22°C, e muito próximo a ela, para o leitãozinho, uma temperatura de 30 a 32°C. O controle do ambiente afeta o bem-estar animal. Como fazer isso?

Segundo Zappani, a recomendação é manter um espaço exclusivo para os leitões ao lado da porca, o escamoteador (ou creep), local destinado ao aquecimento e proteção da leitegada. “Além de manter o filhote aquecido entre uma mamada e outra, o escamoteador também o protege do esmagamento, que é uma das principais causas de morte na maternidade”, afirma.

O escamoteador é uma espécie de “casinha” aquecida com uma fonte de calor – lâmpada infravermelha ou piso aquecido. Dessa forma, o leitão não despende calorias para manter a temperatura corporal, usando essa caloria para seu crescimento. “O filhote também fica afastado da mãe o suficiente para não correr risco de esmagamento”, completa. A cada semana de vida do leitão, vai sendo reduzida a temperatura no escamoteador até o momento do desmame, chegando a 26°C na terceira semana (período que varia entre 22 e 24 dias).

É fundamental observar essa diferença de temperatura para a matriz, mantendo-a em um ambiente climatizado, pois se ela estiver fora da zona de conforto térmico, vai comprometer a ingestão de alimento e a produção de leite. Zappani ressalta que após o parto é muito importante observar que a matriz tenha livre acesso à ração e água. “A partir de 24 horas após o parto, ela precisa de muita ração e água disponível, para poder alimentar os leitões.” Ele indica que é importante a utilização de um comedouro ergonomicamente fabricado, para que a matriz consiga consumir diariamente de 5,5 a 8 quilos de ração, além de 40 litros de água, disponibilizado por uma chupeta com boa vazão, para facilitar o acionamento pela porca.

No que se refere às instalações da maternidade, o piso para a fêmea deve ser confortável e o mais autolimpante possível, diminuído assim a necessidade de mão de obra para limpeza. O recomendado é o piso vazado para a fêmea e piso plástico vazado para o leitão.

Para o sucesso da maternidade, é fundamental observar os cuidados com a leitegada durante parto e pós-parto. É necessário que 100% dos leitões tenham ingestão de colostro logo após o nascimento. Após o nascimento do sétimo ou oitavo leitão, ele precisa ser separado para que os outros possam mamar e todos tenham o mesmo aporte de colostro que o primeiro. Zappani lembra que, nesse processo, os leitõezinhos não podem ficar mais de 40 minutos apartados. “É necessário trazê-los de volta para mamar mais 20 minutos, até o término do parto.”

Após a conclusão do parto e de todos terem mamado o colostro na própria mãe, é feita a homogeneização da leitegada por quantidade e por tamanho, distribuindo os filhotes entre as matrizes. “Mexendo o mínimo possível na leitegada”, destaca Zappani. No segundo ou terceiro dia de vida, é importante aplicar ferro injetável e aplicar os manejos de cuidados até o final do desmame. “As boas práticas do pós-parto vão possibilitar que a própria fêmea leve sua leitegada até o desmame o mais saudável possível.”

O foco de uma maternidade ideal é desmamar o maior número de leitões possível ao mesmo tempo, com a mortalidade não ultrapassando 5 a 6%. “O sucesso está em desmamar os leitões com o melhor peso e a melhor sanidade possível”, conclui.

O emprego de boas práticas em bem-estar animal, a adoção de estratégias de manejo adequadas e uma nutrição balanceada, aliadas à tecnologia, são fundamentais para que melhores resultados sejam alcançados.

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