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O meio rural está mais verde

Energias renováveis aplicadas ao agronegócio aumentam a produtividade em condições ambientalmente corretas
 
A energia elétrica é um dos itens que mais pesa na planilha de custos dos produtores rurais, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
 
Entre as opções de energia alternativa, aparecem a biológica (biogás, óleos vegetais, por exemplo), a eólica (ventos) e a solar (fotovoltaica), que algumas vezes são utilizadas de forma híbrida, inclusive. O engenheiro eletricista Marcos Preussler, gerente de Negócios da Fockink, empresa especializada na implantação de projetos para sistemas elétricos, ressalta que um projeto fotovoltaico acaba sendo mais simples de implantar. “O eólico, geralmente, é um projeto de grande monta, necessita de outorga de vento e licenciamento ambiental".

Já o sistema fotovoltaico é implantado a partir de uma obra civil normal e não precisa licenciamento. “Como podem ser projetos menores, utiliza-se o sistema de geração distribuída, no qual não ocorre a comercialização, mas sim a diminuição da tarifa de energia, com o excedente sendo utilizado em outras unidades ou na forma de crédito.”

No caso de utilização de uma solução híbrida, em instalações individuais, indicada para sistemas off-grid (uso em locais onde a energia não chega), Preussler recomenda a combinação de biogás e energia fotovoltaica, especialmente para produção de proteína animal. “O produtor alivia a carga orgânica de sua propriedade de forma correta e ainda gera energia”.

No estado do Piauí, que vem se destacando por atrair empreendimentos voltados à geração de energia renovável, foi instalada a maior usina de energia fotovoltaica da América Latina. O Parque Solar Nova Olinda, instalado no município de Ribeira do Piauí, da Enel Green Power do Brasil, abrange uma área de 690 hectares, com capacidade instalada total de 290 MW, gerando aproximadamente 600 GWh por ano, o suficiente para atender às necessidades anuais de consumo de energia de cerca de 300 unidades habitacionais.

A exemplo da zona urbana do Piauí, também os produtores rurais estão investindo na alternativa. O Grupo Progresso, com cinco fazendas no estado, acaba de inaugurar sua própria usina de energia fotovoltaica junto à unidade matriz, em Sebastião Leal. São 5.120 painéis, que produzem 320 W cada. Em uma área de 20 mil m², os módulos foram instalados sobre estrutura metálica galvanizada. O grupo, de propriedade de Cornélio Sanders, produz soja, milho e algodão, mantendo ainda unidades beneficiadoras para a produção de pluma de algodão e sementes de soja.

Em fevereiro de 2017, a empresa iniciou as pesquisas para dimensionamento do projeto inicial, levantamento de fornecedores e linhas de crédito no mercado. A obra começou em julho, e a instalação foi concluída em novembro. Segundo Odirlei Eltermann, gerente industrial da Progresso, desde o final de dezembro, depois da vistoria e autorização da Eletrobrás para acessar a rede com o excedente de energia, o sistema está on-grid.
 
“O retorno desse projeto solar foi viabilizado com a geração distribuída. O parque solar está instalado na matriz, no entanto as demais utilizam a energia excedente que exportamos para
concessionária, da qual ganhamos um crédito que é abatido nas faturas das outras fazendas".
 
A economia do sistema está relacionada a melhor utilização da energia. “A partir do momento que se tem uma fonte geradora na propriedade, você acaba analisando quase que diariamente
não só geração, mas também o que está consumindo”. A expectativa do Grupo Progresso é de um retorno do investimento (que foi na casa dos R$ 7 milhões) em torno de sete anos, quando encerra o financiamento e a usina estará 100% paga. “A partir daí, estaremos usufruindo de uma energia limpa, renovável e gratuita”. Eltermann informa que, em breve, a produção de sementes da Progresso receberá o Selo Solar. “O mercado vai valorizar quem produz com energia renovável. Quem tiver uma fonte geradora vai sair na frente. Vamos deixar como legado para as futuras gerações o conceito de que é possível fazer diferente”.

No Rio Grande do Sul, a Estância Guatambu trabalha com energia 100% limpa desde maio de 2016, e seus vinhos já receberam o Selo Solar. O parque da vinícola, que recebeu um investimento de R$ 1,5 milhão, dispõe de 600 painéis fotovoltaicos, que suprem 100% da demanda energética do empreendimento. Durante o processo de elaboração do vinho, todas as máquinas utilizam a energia captada do sol. Gabriela Pötter, enóloga e engenheira agrônoma da empresa, acrescenta que a energia gerada também abastece uma unidade de secagem e seleção de grãos (arroz, soja e milho), que fica a dois quilômetros da vinícola. “O projeto já reduziu cerca de 75% da conta de energia. Pretendemos ampliar o número de módulos para, possivelmente, abastecer pivôs centrais de irrigação das lavouras”.
 
Como financiar - O financiamento rural para produtores rurais e empresas do meio rural pode ser acessado via Pronaf (pequeno produtor), Pronamp (médio) e pelo Inovagro (grande produtor e PJs), com taxas de juros diferenciadas para cada categoria.

A informação é de Alexander Leitzke, gerente de Planejamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), que financia projetos com recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). Ele ressalta que, para equipamentos importados não há linha específica, devendo o produtor procurar financiamento direto. Porém, se o equipamento importado atender o índice mínimo de nacionalização exigido pelo Finame (linha de crédito que oferece juros baixos e prazos longos para máquinas e equipamentos), poderá ser contemplado com um programa de financiamento. O índice mínimo de nacionalização diz respeito a um percentual estipulado de componentes fabricados no Brasil.

 

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